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Cartão de crédito para viagens: o que você precisa saber

Entenda como funciona um cartão de crédito para viagens, quais benefícios esperar e como escolher o perfil certo para o seu bolso.

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Quantos brasileiros deixam de aproveitar milhas e benefícios de viagem simplesmente por não entender como o cartão de crédito internacional funciona?

Segundo o Banco Central do Brasil, o número de cartões de crédito ativos no país ultrapassou 200 milhões em 2024, mas a maioria dos titulares nunca usou o produto fora do país. Entender o mecanismo por trás desse plástico pode mudar bastante a conta final de uma viagem.

TL;DR

  • Cartões internacionais cobram IOF de 3,38% sobre cada compra feita no exterior em 2025, conforme o Banco Central.
  • Programas de milhas variam muito: cartões premium chegam a 7 pontos por dólar gasto no exterior.
  • Anuidade pode ser isenta com metas de gasto mensal, dependendo do emissor e do perfil do cliente.
  • Cartões de entrada (Gold/Internacional) já acumulam pontos e funcionam em mais de 150 países.

O que é um cartão de crédito para viagens?

Um cartão de crédito para viagens é, na prática, qualquer cartão internacional que funciona fora do Brasil. A diferença em relação a um cartão doméstico está na bandeira: Visa, Mastercard, American Express e Elo (em países selecionados) permitem transações em moeda estrangeira. O cartão opera com câmbio do dia do fechamento da fatura, acrescido do IOF e de eventuais spreads do banco emissor.

Mas o termo “cartão para viagens” ganhou um significado mais específico no mercado brasileiro. Hoje, ele descreve produtos que combinam aceitação global com benefícios direcionados ao viajante: acúmulo de milhas, seguro viagem, acesso a salas VIP em aeroportos e assistência em emergências no exterior. Segundo o site Melhores Destinos, que monitora o setor desde 2008, os três critérios principais para avaliar esses cartões são acúmulo de pontos, benefícios de viagem e custo da anuidade.

Não existe um único perfil ideal. Um cartão que faz sentido pra quem viaja três vezes por ano pode ser caro demais pra quem faz uma viagem a cada dois anos. Claro, depende do volume de gastos mensais e de quanto o titular está disposto a pagar em anuidade.

Como o IOF afeta suas compras no exterior?

O IOF é o custo mais visível de qualquer compra internacional com cartão. Em 2025, a alíquota fixada pelo Banco Central para transações com cartão de crédito no exterior é de 3,38%, aplicada sobre o valor total de cada compra convertida para reais. Isso significa que uma compra de US$ 200 em Nova York gera, só de IOF, algo em torno de R$ 33 a R$ 40, dependendo da cotação do dólar no fechamento da fatura.

Vale lembrar que essa alíquota vem caindo gradualmente. Segundo a Remessa Online, a taxa será reduzida de forma escalonada até 2028, o que tende a tornar o uso do cartão no exterior progressivamente mais barato.

Além do IOF, os bancos tradicionais costumam cobrar um spread cambial que pode chegar a 6% sobre o valor do dólar comercial. Fintechs como Wise e Nomad, por outro lado, operam com spread abaixo de 1%, segundo o portal Viaje na Viagem. Isso cria uma diferença real no custo final, especialmente em viagens longas ou com alto volume de gastos.

A dica prática: sempre compare o custo total (IOF + spread + anuidade proporcional) antes de decidir qual cartão levar na mala.

Quais são os tipos de cartão para viajantes no Brasil?

O mercado brasileiro divide os cartões para viajantes em três faixas, conforme a renda exigida e os benefícios oferecidos.

Cartões de entrada (Gold/Internacional): exigem renda menor, geralmente abaixo de R$ 3.000 mensais, e oferecem acúmulo básico de pontos. Funcionam em mais de 150 países e já incluem proteção básica de compras. A pontuação costuma ser baixa, entre 0,5 e 1,5 ponto por dólar.

Cartões intermediários (Platinum/Grafite): voltados para renda entre R$ 3.000 e R$ 6.999 mensais, segundo o Serasa. Oferecem pontuação mais alta e alguns benefícios de viagem, como seguro básico e descontos em passagens de companhias parceiras.

Cartões premium (Black/Infinite/Nanquim): destinados a rendas acima de R$ 9.000 mensais. São os que concentram os maiores benefícios: acesso ilimitado a salas VIP via Priority Pass, LoungeKey ou Dragon Pass, seguros abrangentes, pontuação de até 7 pontos por dólar em compras internacionais e isenção de anuidade condicionada a metas de gasto.

A escolha entre as faixas não é só questão de renda. Quem concentra R$ 4.000 ou mais por mês no cartão pode conseguir isenção de anuidade em produtos intermediários, tornando o custo-benefício muito mais favorável do que parece à primeira vista.

Como funcionam os programas de milhas?

Os programas de milhas são o coração dos cartões para viajantes. O mecanismo básico é simples: a cada dólar gasto no cartão, o titular acumula pontos que podem ser transferidos para programas de fidelidade de companhias aéreas, como Smiles (GOL), LATAM Pass, TudoAzul ou TAP Miles&Go.

A taxa de conversão varia bastante. Cartões de entrada podem oferecer 1 ponto por dólar; cartões premium chegam a 7 pontos por dólar em compras internacionais, conforme levantamento do Passageiro de Primeira atualizado em abril de 2026. Essa diferença é enorme na prática: com 7 pontos por dólar, US$ 5.000 em gastos geram 35.000 pontos, suficientes para uma passagem de ida em classe econômica para a Europa em períodos de baixa temporada.

Há dois modelos principais de programa:

  • Pontos vinculados ao banco (como Esfera do Santander ou Átomos do C6 Bank): o titular acumula no programa do banco e transfere para as aéreas quando quiser, geralmente com bônus promocionais de 40% a 120% em transferências.
  • Pontos diretos na aérea (como LATAM Pass Itaú ou Smiles Bradesco): os pontos já caem direto no programa da companhia, sem intermediário.

Um ponto de atenção: a validade dos pontos. Alguns programas expiram em 2 anos, outros em 3, e há cartões cujos pontos nunca vencem, como os do Santander Unlimited. Segundo o Serasa, verificar a validade dos pontos é um dos principais cuidados antes de escolher um cartão de milhas.

Salas VIP: o benefício que mais impressiona quem viaja

O acesso a salas VIP em aeroportos é, pra muita gente, o benefício mais tangível de um cartão premium. Programas como Priority Pass, LoungeKey e Dragon Pass dão entrada em mais de 1.200 lounges em aeroportos de todo o mundo, segundo o site Melhores Destinos.

Na prática, isso significa Wi-Fi de qualidade, comida e bebida incluídas, chuveiro em alguns aeroportos e um ambiente bem mais tranquilo do que o saguão principal. Em conexões longas, o valor percebido é alto.

O acesso costuma ser ilimitado para o titular e, dependendo do cartão, para acompanhantes também. O Bradesco Visa Infinite, por exemplo, oferece 4 acessos gratuitos por ano via Visa Airport Companion. Já cartões como o C6 Carbon incluem 4 acessos anuais pelo Dragon Pass e acesso ilimitado à sala VIP Mastercard Black no terminal 3 de Guarulhos.

Para quem viaja menos de 4 vezes por ano, o benefício pode não justificar uma anuidade alta. Mas pra quem faz viagens frequentes, o custo de uma visita avulsa a um lounge (em torno de US$ 30 a US$ 50 por pessoa) se paga rapidamente.

Seguro viagem incluso no cartão: quando vale confiar?

Muitos cartões internacionais incluem seguro viagem automático, mas as coberturas variam muito entre emissores e bandeiras. Em geral, os seguros cobrem cancelamento de voo, extravio de bagagem, assistência médica de emergência e responsabilidade civil no exterior.

A condição mais comum para ativar o seguro é que a passagem aérea tenha sido comprada com o próprio cartão. Sem essa condição, a cobertura pode não se aplicar. Cartões Black e Infinite costumam ter coberturas mais amplas, com limites de assistência médica que chegam a US$ 500.000 em alguns produtos.

O seguro incluso no cartão não substitui um seguro viagem contratado separadamente em todas as situações, especialmente para destinos com custos médicos muito altos, como os Estados Unidos. Mas pra viagens curtas à Europa ou América do Sul, pode ser suficiente, dependendo do produto.

Como detalhamos em outro guia sobre seguros de viagem no site, a leitura das condições gerais do seguro vinculado ao cartão é indispensável antes de embarcar.

Anuidade: quando o custo vale o benefício?

A anuidade é o custo fixo mais visível de um cartão premium. Ela pode variar de zero (em cartões de entrada sem anuidade) a mais de R$ 2.000 por ano em produtos de altíssima renda.

A boa notícia é que muitos emissores oferecem isenção condicionada a metas de gasto. O C6 Black, por exemplo, isenta a anuidade para quem gasta a partir de R$ 3.500 mensais no cartão. O Bradesco Visa Infinite isenta para quem mantém R$ 10.000 em gastos mensais ou tem investimentos no banco. Segundo o Melhores Destinos, muitos cartões do ranking permitem isenção de anuidade conforme o uso, o que torna possível ter um produto com benefícios premium sem custo adicional.

A conta que vale fazer: some o valor dos benefícios que você realmente usa (salas VIP, seguro, milhas acumuladas) e compare com o custo anual do cartão. Se o saldo for positivo, a anuidade se paga. Se não, um cartão de entrada sem anuidade pode ser mais inteligente.

Viajante consultando benefícios do cartão de crédito no aeroporto

Conclusion

Cartão de crédito para viagens não é um produto único: é uma categoria com dezenas de variações, cada uma pensada pra um perfil diferente de viajante. Entender o IOF, os programas de milhas, os benefícios de lounge e a lógica da anuidade é o primeiro passo pra escolher bem. Quem gasta pouco no cartão pode se sair melhor com um produto sem anuidade e pontuação básica.

Quem concentra R$ 4.000 ou mais por mês tem acesso a produtos com benefícios reais sem pagar nada a mais por isso. O mercado brasileiro, nesse sentido, evoluiu bastante nos últimos anos. Para uma análise prática com comparação entre os principais cartões disponíveis hoje, vale a leitura de Cartões de Crédito para Viagens: Comparação e Qual Escolher por Perfil.

FAQ

  1. O cartão de crédito internacional funciona em qualquer país?
    Depende da bandeira. Visa e Mastercard têm aceitação em mais de 150 países; Elo funciona em destinos selecionados. Confirme com o emissor antes de viajar.

  2. Qual é o IOF cobrado em compras internacionais com cartão de crédito?
    Em 2025, a alíquota é de 3,38% sobre o valor de cada transação internacional, conforme o Banco Central do Brasil.

  3. Posso isentar a anuidade de um cartão premium para viagens?
    Sim. Muitos emissores isentam a anuidade com metas de gasto mensal ou volume de investimentos. As condições variam por produto e instituição.

  4. Milhas acumuladas no cartão expiram?
    Depende do programa. Alguns expiram em 2 a 3 anos; outros, como os do Santander Unlimited, nunca vencem. Verifique as regras do programa antes de escolher.

  5. O seguro viagem do cartão substitui um seguro contratado separadamente?
    Nem sempre. O seguro do cartão cobre situações básicas, mas pode ter limites insuficientes para destinos com custos médicos altos, como os EUA. Leia as condições gerais do produto.

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