Qual cartão de viagem escolher: comparação por perfil
Compare os principais cartões de crédito para viagens no Brasil por perfil de gasto, milhas e anuidade, e saiba qual faz mais sentido pra você.
Qual cartão de crédito para viagens realmente entrega o que promete no Brasil? A resposta depende menos do produto em si e mais do perfil de quem usa.
Segundo levantamento do Passageiro de Primeira atualizado em abril de 2026, os cartões nacionais que mais acumulam pontos chegam a 7 pontos por dólar em compras internacionais, mas esses produtos exigem renda e volume de gastos que não se encaixam em todo orçamento. A seguir, comparamos as principais opções disponíveis por faixa de gasto e perfil de viajante.
TL;DR
- Cartões premium chegam a 7 pontos por dólar no exterior, mas exigem renda acima de R$ 9.000 mensais.
- C6 Platinum foi eleito melhor cartão com milhas e anuidade zero com requisitos pelo E-Investidor em 2025.
- Wise e Nomad cobram spread abaixo de 1% no câmbio, contra até 6% dos bancos tradicionais.
- Isenção de anuidade em cartões intermediários é possível com gastos a partir de R$ 3.500 mensais.
Por que o perfil de gasto define tudo na escolha?
A escolha do cartão de crédito para viagens começa pelo volume mensal de gastos, não pelo destino da próxima viagem. Quem gasta R$ 1.500 por mês no cartão acumula milhas num ritmo muito diferente de quem gasta R$ 6.000, mesmo usando o mesmo produto. E a anuidade que parece cara pra um perfil pode se pagar facilmente pra outro.
Segundo o Serasa, os três critérios principais para avaliar um cartão de viagens são custo da anuidade, acúmulo de pontos e benefícios de viagem. Mas a ordem de prioridade muda conforme o perfil. Para quem viaja uma vez por ano, a anuidade pesa mais. Para quem viaja quatro vezes ou mais, o acesso a salas VIP e o seguro viagem podem valer mais do que a pontuação em si.
Vale lembrar que muitos emissores oferecem isenção de anuidade condicionada a metas de gasto. Isso muda o cálculo: um cartão com anuidade de R$ 1.176 por ano pode sair de graça pra quem já gasta R$ 3.500 mensais no crédito, como é o caso do C6 Black.
Cartões para quem gasta até R$ 3.000 por mês
Nessa faixa, o foco deve ser em produtos sem anuidade ou com isenção fácil, que ainda acumulem algum ponto. Duas opções se destacam.
C6 (básico): eleito pelo E-Investidor em 2025 como melhor cartão com milhas e anuidade zero sem exigência de renda mínima. Acumula pontos no programa C6 Átomos, que podem ser transferidos para Smiles, LATAM Pass, TudoAzul e TAP. A pontuação é baixa (entre 0,03 e 0,05 ponto por real gasto), mas o custo zero torna o produto interessante pra quem está começando.
LATAM Pass Itaú Internacional: voltado pra quem já tem relacionamento com o Itaú e quer acumular pontos direto no programa LATAM Pass. Permite parcelamento de passagens LATAM em até 10 vezes sem juros, o que pode ser um diferencial real na hora de planejar uma viagem mais cara.
Nessa faixa, não espere acesso a salas VIP nem seguros robustos. O ganho principal é o acúmulo gradual de milhas sem custo fixo.
Cartões para quem gasta entre R$ 3.000 e R$ 7.000 por mês
Aqui o leque abre bastante. Com esse volume de gastos, é possível acessar produtos intermediários com isenção de anuidade e benefícios reais de viagem.
C6 Platinum: acumula até 0,45 ponto por real gasto no crédito, com pontos transferíveis para TudoAzul, Smiles e LATAM Pass, além de opção de cashback de até 0,8% da fatura. Inclui assistência em viagens e seguros exclusivos. A anuidade é isenta com requisitos de gasto e movimentação na conta digital.
C6 Black: a partir de R$ 3.500 mensais no cartão, a anuidade é zerada. Acumula até 2,5 pontos por dólar e oferece cashback de até 1,2%. Não é o campeão em pontuação, mas o custo-benefício nessa faixa de gasto é sólido.
Um ponto que conecta com a discussão de programas de fidelidade que abordamos em outro guia no site: transferir pontos durante promoções das aéreas pode multiplicar o valor acumulado em 40% a 120%, segundo o Melhores Destinos. Isso significa que a taxa de acúmulo do cartão é só metade da equação.
| Cartão | Pontos por dólar | Anuidade zero a partir de |
|---|---|---|
| C6 Platinum | até 0,45 pt/R$ | requisitos de conta |
| C6 Black | até 2,5 pts/US$ | R$ 3.500/mês |
| LATAM Pass Itaú | até 1,5 pts/US$ | negociável |
Cartões premium para quem gasta acima de R$ 7.000 por mês
Nessa faixa, os produtos mudam de patamar. A pontuação sobe, os benefícios de lounge aparecem e os seguros ficam mais abrangentes.
Bradesco Visa Infinite: acumula até 2,2 pontos por dólar, com anuidade gratuita para quem mantém R$ 10.000 em gastos mensais ou investimentos no banco. Inclui 4 acessos gratuitos por ano ao Visa Airport Companion e acesso ao Visa Infinite Pass em Guarulhos. Segundo o iDinheiro, é uma das opções mais sólidas da bandeira Visa no Brasil para viajantes frequentes.
C6 Carbon Black: acumula até 3,5 pontos por dólar, com cashback de até 1,7% e 4 acessos anuais ao Dragon Pass, além de acesso ilimitado à sala VIP Mastercard Black no terminal 3 de Guarulhos. A anuidade é isenta com R$ 8.000 mensais em gastos ou R$ 1 milhão em investimentos no banco.
Santander Unlimited: pontuação de 3,6 pontos Esfera por dólar em compras internacionais (4,0 para clientes Private). Os pontos nunca expiram e podem ser trocados por desconto na fatura, produtos ou viagens na Esfera. A anuidade é isenta com R$ 30.000 mensais em gastos, o que o coloca numa faixa de altíssima renda.
| Cartão | Pontos/US$ exterior | Sala VIP |
|---|---|---|
| Bradesco Visa Infinite | até 2,2 | Visa Airport Companion |
| C6 Carbon Black | até 3,5 | Dragon Pass + Mastercard Black |
| Santander Unlimited | até 3,6 | LoungeKey + Priority Pass |
Fintechs globais: Wise e Nomad como alternativa ao cartão de crédito
Nem todo viajante precisa de um cartão de crédito tradicional no exterior. Para quem prioriza câmbio justo e controle de gastos, as fintechs globais oferecem uma alternativa relevante.
Wise: emitido na bandeira Visa, funciona em mais de 150 países com mais de 40 moedas. Segundo o portal Exiap, aplica câmbio comercial sem margem, com IOF de 3,5% e taxa de serviço a partir de 0,78%. Não oferece milhas nem parcelamento, mas pode sair até 5 vezes mais barato em operações internacionais do que cartões de bancos tradicionais, segundo a própria Wise.
Nomad: focado em quem viaja para os EUA, permite carregar dólares na conta e usar o cartão no exterior com câmbio comercial sem margem, IOF de 3,5% e taxa de serviço a partir de 1%. Inclui o programa Nomad Pass, com acesso ao Nomad Lounge em Guarulhos e descontos na taxa de câmbio.
A lógica é diferente dos cartões de milhas: você abre mão do acúmulo de pontos em troca de câmbio mais barato. Para viagens longas com alto volume de gastos, a economia no câmbio pode superar o valor das milhas acumuladas. Claro, depende do destino e do perfil de consumo.
Como calcular se as milhas valem a anuidade?
A conta é mais simples do que parece. Pegue o gasto mensal médio no cartão, multiplique pela taxa de pontos por dólar e estime quantas milhas você acumula por ano. Depois, calcule o valor dessas milhas em passagens aéreas.
Um exemplo hipotético com números reais de mercado: alguém que gasta R$ 4.000 por mês num cartão que acumula 2 pontos por dólar (câmbio de R$ 5,50) acumula cerca de 1.454 pontos por mês, ou 17.450 pontos por ano. Dependendo do programa e da rota, isso pode valer entre R$ 350 e R$ 700 em passagens, segundo as tabelas públicas de resgate da Smiles e da LATAM Pass.
Se a anuidade do cartão for R$ 480 por ano (e puder ser isenta com os gastos), o saldo é positivo. Se a anuidade for R$ 1.200 e não houver isenção, a conta fecha só se o titular usar também os benefícios de lounge e seguro.
Segundo o Melhores Destinos, acumular pontos e milhas vale a pena para quem tem volume de despesas de pelo menos R$ 1.000 por mês no cartão. Abaixo disso, o acúmulo é lento demais pra justificar qualquer anuidade.
Erros comuns na hora de escolher o cartão de viagem
Alguns equívocos aparecem com frequência entre quem está escolhendo o primeiro cartão para viagens.
- Focar só na pontuação por dólar sem considerar a anuidade real (depois da isenção ou não).
- Ignorar a validade dos pontos: programas com expiração em 2 anos podem fazer o titular perder milhas acumuladas se não viajar no período.
- Não verificar se o seguro viagem do cartão exige que a passagem tenha sido comprada com o mesmo cartão para ativar a cobertura.
- Escolher um cartão de altíssima renda sem atingir os requisitos de isenção, pagando anuidade cheia sem usar os benefícios que a justificariam.
- Usar o cartão de crédito tradicional para todas as compras no exterior sem comparar com alternativas de câmbio mais barato, como Wise ou Nomad.
Como detalhamos em outro guia sobre planejamento financeiro para viagens no site, o cartão ideal é aquele que se encaixa no comportamento real de gasto, não no comportamento aspiracional.
Qual cartão faz mais sentido por perfil?
A resposta direta, sem rodeios:
- Gasta até R$ 2.000/mês e quer começar a acumular milhas: C6 básico ou LATAM Pass Internacional, sem anuidade.
- Gasta entre R$ 3.000 e R$ 6.000/mês e quer custo-benefício real: C6 Platinum ou C6 Black, com isenção de anuidade atingível.
- Gasta acima de R$ 7.000/mês e viaja pelo menos 3 vezes por ano: Bradesco Visa Infinite ou C6 Carbon Black, com acesso a lounges e seguro robusto.
- Prioriza câmbio barato acima de milhas: Wise ou Nomad como cartão principal no exterior.
Não existe cartão perfeito pra todo mundo. O que existe é o cartão certo pra cada momento financeiro.

Conclusion
Escolher o cartão de crédito para viagens certo exige honestidade sobre o próprio perfil de gasto. Cartões premium com 7 pontos por dólar existem, mas fazem sentido só pra quem tem volume e renda compatíveis. Para a maioria dos viajantes brasileiros, produtos intermediários com isenção de anuidade atingível e pontuação razoável entregam mais valor real do que um Black que cobra anuidade cheia.
Acreditamos que a comparação por perfil, e não por ranking genérico, é o caminho mais honesto. Para entender os fundamentos de como esses cartões funcionam, incluindo IOF, programas de milhas e seguros, vale a leitura de Cartão de Crédito para Viagens: Como Funciona e Por Que Importa.
FAQ
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Qual cartão de crédito acumula mais milhas por dólar no Brasil?
Cartões premium como o Bradesco Amex Centurion e o Santander Unlimited chegam a 7 pontos por dólar em compras internacionais, segundo o Passageiro de Primeira (abril 2026). Exigem renda e gastos elevados. -
C6 Bank vale a pena para quem viaja?
Depende do perfil. O C6 Platinum foi eleito melhor cartão com milhas e anuidade zero com requisitos pelo E-Investidor em 2025. O C6 Carbon Black oferece até 3,5 pontos por dólar e acesso a lounges para quem gasta mais. -
Wise ou cartão de crédito tradicional: qual usar no exterior?
Wise cobra spread abaixo de 1% no câmbio, contra até 6% dos bancos tradicionais. Para quem prioriza câmbio barato e não precisa de milhas, Wise pode ser mais vantajoso em viagens longas. -
Como funciona a isenção de anuidade nos cartões de viagem?
A maioria dos emissores isenta a anuidade quando o titular atinge uma meta de gasto mensal ou mantém um volume mínimo de investimentos no banco. As condições variam por produto. -
Pontos de cartão de crédito expiram?
Depende do programa. Smiles expira em 3 anos; TudoAzul em 2 anos; pontos Esfera do Santander Unlimited nunca vencem. Verifique as regras do programa antes de acumular.